Fernanda Rosito

Justiça do mercado

Por Fernanda Rosito

Começo este pequeno texto falando um pouco sobre a atuação do jornalista na comunicação. E não falo porque sou jornalista, mas porque, realmente, este profissional tem um papel fundamental na divulgação dos fatos, seja ele um repórter (aquele que atua nas redações dos veículos) ou assessora de imprensa (aquele que promove a empresa nas várias mídias). Sim, a assessoria de imprensa pode e deve - ser feita por um jornalista. O que não exclui o relações-públicas. Na verdade, na comunicação integrada, os três profissionais (jornalistas, relações-públicas e publicitários) têm igual importância.

Não quero ser didática, nem falar outra língua. Apenas demonstrar um pouco de tristeza com a atuação do Conselho Regional de Relações Públicas da 4ª região, o Conrerp, aqui do Rio Grande do Sul. Pois bem, eu explico: está autuando as assessorias de imprensa que trabalham apenas com jornalistas – e não com os RPs. Ora, ora, baseado em quê este Conselho solicita arquivos confidenciais das empresas, determina prazos para apresentação deles e, caso não feito, aplica multa? Advogados de plantão, por favor, nos ajudem a entender tamanha presunção.

Não quero e não vou discutir as ações de cada profissional. Minha intenção é, sim, de certo modo, defender os profissionais da escrita. Até porque, sou um deles. E quem determina isso é o próprio mercado.

Mas vamos à bibliografia de um dos autores mais renomados da área da comunicação: Wilson da Costa Bueno. Na obra “Desafios do Jornalismo – novas demandas e formação profissional”, editado pela Appris (2014), o jornalista e professor destaca, entre outros pontos, o modelo de comunicação integrada:

“... Não podemos ser integrados, se ao menos não nos dispusermos a ser solidários e entender o outro. Precisamos, com urgência, qualificar este debate! Todos estão convidados a contribuir. A Comunicação Corporativa é espaço de desafios complexos e deve ser ocupada pelo critério da competência. Enquanto desembainhamos as nossas espadas para a guerra, perdemos espaço para qualificar a área de forma integrada e conseguimos diminuí-la ainda mais. Se continuarmos assim, resolveremos o problema: as organizações buscarão profissionais de formações diversas e distantes da comunicação, renomearão a área e a vida continuará, sem o nosso vigor bélico e territorialista de relações- públicas, jornalistas, publicitários...”

Por fim, se o Conrerp, que defende o papel de seus associados, os profissionais de Relações Públicas, que por base atuam no relacionamento, não procurou este debate, fica a reflexão de sua real competência.

Isso independe da lei das profissões, que, por vezes, é contraditória e “confunde” o papel do jornalista e do RP.